sexta-feira, junho 09, 2006

Versão Jovem 3.1


" É hoje o dia da alegria... e a tristeza nem pode pensar em chegar..."

Minha irmã que eu adoro tanto... fiquei pensando no que iria escrever aqui hoje especialmente para você e para seus 31 anos muito bem vividos e cheio de alegria!
Dentre meus infinitos livros, achei um de crônicas do Artur da Távola. Folheando me deparei com uma intitulada "Ser Jovem"... não teve jeito porque simplesmente me fez lembrar de você em todos os aspectos!
De presente para você, deixo meu imenso e eterno amor e Artur da Távola!
Muitas felicidades... muitos anos de vida!!!
Te adoro... "Duuuuu", hehehe




Ser Jovem é:

- Não perder o encanto e o susto de qualquer espera. É, sobretudo, não ficar fixado nos padrões da própria formação. É ter abertura para o novo, na mesma medida do respeito ao imutável;

- É querer a festa, o jogo, a brincadeira, a lua, o impossível, o distante. É ser bêbado de infinitos que terminam logo ali... é não saber de nada e poder tudo;

- É acordar assobiando uma canção, achar graça do riso, ter pena dos tristes e ficar ao lado das crianças;

- É estar sempre aprendendo inglês, é gostar de cor, xarope, gengibirra e pastel de padaria. É não ter azia, é gostar de dormir e crer na mudança; é meter o dedo no bolo e lamber o glacê;

- É cantar fora do tom, gostar de carro velho e roupa sem amargura. É bater papo com a baiana, curtir o ônibus e detestar meia marrom;

- É beber chuvas, ter estranhas, súbitas e inexplicáveis atrações. É temer o testemunho, detestar os solenes, duvidar das palavras. É não acreditar no que está pensando, exceto se o pensamento permanecer depois. É saber sorrir, alimentar secretas simpatia pelos crentes que cantam nas praças em semicírculo, Bíblia na mão, sonho no coração;

- É gostar de ler e tentar silêncios quase impossíveis. É ser metafísica sem ter metafísica. É curtir trem, alface fresquinha, cheiro de hortelã. É gostar até de talco e continuar gostando de deitar na grama;

- É gostar de beijo, pele, de olho. Não perder o hábito de se encabular. É permanecer descobrindo. É querer ir á lua ou conhecer Finlândias, Escócias e praias advinhadas. É sentir cheiros raríssimos: cheiro de férias, cheiros de festa, aipim, camisa nova, marcenaria ou toalha do clube;

- É andar confiante como quem salta, se possível de mãos dadas com o ar. É ter coragem de nascer a cada dia e embrulhar as fossas no celofane do não faz mal. É acreditar em frases, pessoas, mitos, forças, sons, é crer que não vale a pena mas ai da vida se não fosse isso;

- Descobrir um belo que não conta. É recear as reveleções e ir para casa com o gosto do silêncio amargo ou agridoce. Ter a capacidade do perdão e andar com os olhos cheios de capim cheiroso. É ter tédios passageiros, é amar a vida, é ter uma palavra de compreensão. É lembrar da infância por não precisar fazê-lo para suportar a vida. É ser capaz de anestesias salvadoras;

- É misturar tudo isso com a idade que tenha, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, setenta ou dezenove. É sempre abrir a porta com emoção. É esperar dos outros o que ainda não desistiu de querer. É viver em estado de fundo musical de superprodução da Metro;

- É abraçar esquinas, mundos, luzes, flores, livros, discos, cachorros e a menininha, com um profundo, aberto e incomensurável abraço feito de festa, cocada preta, dentes brancos e dedos tímidos, todos prontos para os desencontros da vida. Com uma profunda e permanente vontade de SER.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que post lindo, Jo! E a Déia merece, é verdade... Gosto de ver vocês duas, tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão próximas, tão amigas! Deus conserve essa irmandade tão bonita e tão cúmplice!
O seu post também trouxe uma grande alegria para mim: DESCOBRI QUE SOU JOVEM!! Aeeeeeeeeeeeee!
Beijos!!